LUZIA ROSA
O teatro, para Luzia Rosa, é prática de permanência. Um ofício que se constrói no tempo, pela repetição atenta, pelo risco e pela escuta do que ainda não se sabe. Sua relação com a cena nasce do entendimento de que o teatro não se resolve no instante, mas no acúmulo de experiências que atravessam o corpo e refinam a presença. Como aponta David Ball, “o teatro acontece quando algo muda”, e é nessa transformação — do ator, da cena e do público — que sua pesquisa se ancora.
Sua trajetória cênica se sustenta na atenção ao acontecimento, à precisão do gesto e à responsabilidade do encontro. O palco é tratado como espaço de pensamento e de ação política, onde memória, imaginação e realidade se tensionam. Nas palavras de Abdias do Nascimento, o teatro é também “instrumento de afirmação e consciência”, e essa compreensão atravessa sua prática: uma cena que não se limita à forma, mas assume posição, território e voz.
O tempo, no teatro que Luzia Rosa constrói, não é cronológico — é acumulativo. Cada espetáculo carrega os anteriores, cada personagem amplia o repertório do corpo e cada processo aprofunda a escuta. Como escreveu bell hooks, “a prática é um lugar de possibilidade”, e é nessa possibilidade — rigorosa, viva e em constante deslocamento — que sua presença cênica se afirma: uma artista que entende o teatro como linguagem em movimento, experiência compartilhada e espaço contínuo de transformação.
Baile Das Rosas Negras (2025)
Inspirado no legado do grupo Rosas Negras, o departamento feminino da Frente Negra Brasileira, e na vibração dos bailes Blacks da São Paulo, o espetáculo cênico musical faz do palco um território de aquilombamento contemporâneo.

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COLETIVO SÁ MENINA
No Coletivo Sá Menina, Luzia Rosa desenvolve uma parceria contínua desde 2017 até o presente, atuando em processos artísticos diversos e colaborativos. Divide o protagonismo em três espetáculos dirigidos por Renato Gama, com direção musical de Ronaldo Gama: As Aventuras do Boi Beleza, Samba e Jazz e O Diário de André Rebouças. Ao longo desses anos, a parceria se expandiu para múltiplas linguagens, com participação em diversos shows, atuação na produção da peça/filme Amora Paulada, presença como atriz no documentário Nebulosa ao Brilho, além da mediação de rodas de conversa e outras ações artísticas, consolidando um percurso marcado pela transversalidade e pelo trabalho continuado.
O Diário de André Rebouças (2025)
Espetáculo que atravessa tempos, saberes e territórios. Fruto de uma residência artística, realizada entre a Sá Menina Plataforma de Artes e o Instituto Çarê, com pesquisa no IEB-USP, surge uma obra que é semente, raiz e flor. Uma história onde o real e o ficcional se entrelaçam para afirmar o direito à memória e ao sonho.
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Samba y Jazz (2022)
Samba & Jazz é um espetáculo que articula música e ação cênica a partir do diálogo entre duas matrizes rítmicas. A obra constrói sua dramaturgia na relação entre corpo, som e tempo presente. Samba & Jazz propõe uma experiência que ultrapassa a fronteira entre plateia e intérpretes, convidando o público a sentir, vibrar e se reconhecer na pulsação dos tempos, nas marcas do passado e na energia do presente.
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As Aventuras do Boi Beleza (2019)
As Aventuras do Boi Beleza é um espetáculo teatral-musical infantil inspirado na obra de Paulo Rafael, que mergulha na imaginação e na cultura popular através da jornada de um boi encantado em busca de descobertas e encontros ao longo de sua trajetória. A peça combina música, narrativa e ação cênica para criar um universo sensorial que celebra o existir, a curiosidade e a riqueza das tradições brasileiras, convidando o público — especialmente crianças e famílias — a experimentar a cena como espaço de encanto, ritmo e descoberta coletiva.
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BORI (2024)
Tendo como fio condutor o ritual de oferenda à cabeça, o Ori, BORI é um Espetáculo-Rito que faz uma (re)volta transatlântica aportando em São Paulo, no Bixiga da década de 70, e aterra nas caravanas de 2024. O Rito tem como matéria prima um elenco de tragédias coloniais contadas e cantadas no fio do roteiro, superadas em cena pela IMAGINAÇÃO CORAL dos cantos de trabalho, da partilha da comida, pela festa e pela tecnologia nascida do Terreyro Eletrôniko do Teat(r)o Oficina: a COMUNHÃO DA ALEGRIA como ARMA de DESMASSACRE!
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ATOTÔ - O Rei Esta na Terra (2024)
"Atotô - Silêncio, o Rei Está na Terra", da Cia Odara e com direção de Márcio Telles, é um espetáculo de celebração à orixá Obaluaiyê, focado na cura, transmutação e cultura iorubá. Com cerca de 40 artistas negros no Teatro Oficina, a peça une música, dança e teatro para representar a força da terra e o renascimento.
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Trupe Revelando São Paulo (2024)
A Trupe Revelando SP integrou a programação do Revelando SP 2024 — o maior festival de valorização das culturas tradicionais do Estado de São Paulo — como um coletivo artístico que circulou por diferentes cidades e espaços, apresentando performances que celebraram a diversidade cultural paulista e o patrimônio imaterial das tradições regionais. Composta por artistas de linguagens diversas, a trupe uniu música, canto e narrativa para dialogar com as manifestações populares presentes no festival,
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CARURU - Teatro Baile (2024)
Inspirado nas práticas festivas e na ancestralidade do caruru, o espetáculo propõe uma investigação sobre pertencimento, memória e potência coletiva, convidando o público a participar de uma experiência teatral que é, ao mesmo tempo, cena, rito e festa.
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CASA PRETA
Casa Preta foi um projeto de artes integradas, criado em Junho de 2016 pelas artistas Luzia Rosa e Almir Rosa. Inicialmente sediada na zona norte paulistana. A casa passou a receber pequenas plateias, previamente agendadas e além do serviço artístico também dispunha de culinária. Em abril de 2017 o projeto segue para a zona leste, no bairro da Penha e dessa vez com sede própria. Dois salões foram artisticamente planejados e modulados para atender teatro, shows, festas e exposições. A partir do segundo semestre de 2018, o projeto encerra seu ciclo no endereço da Penha/ZL e passa a existir de forma itinerante. Desenvolveu e articulou projetos artísticos, formativos e de criação coletiva, reunindo teatro, música, palavra e ações educativas. A Casa Preta consolidou-se como lugar de encontro, experimentação e fortalecimento de redes culturais, ampliando o acesso à produção artística e ao diálogo entre diferentes linguagens. Locais como La Pacata e Memorial Penha de França, foram alghuns parceiros. A Casa Preta conta com um repertório artístico composto pelas seguintes obras:
- Pretexto _ Uma Peça-Gira (teatro)
- 8:13am (teatro)
- As Músicas Que Meus Pais Ouviam (teatro infantojuvenil)
- Epyra (show/teatro)- Negro Amor (exposição fotográfica)- - Amor Em Tempos De Perseguição (curta-metragem)
- Memórias de um Sapato Azul (teatro)
- Rádio Panela FM (teatro)


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Para além das criações das artistas da Casa, a Casa Preta recebeu artistas, coletivos e diferentes linguagens, promovendo intercâmbio, circulação de trabalhos e diálogo entre práticas diversas, afirmando-se como um espaço vivo de convivência, experimentação e fortalecimento da cena cultural.

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